|
Eliane
de Araujoh - Estamos aqui com Toninho Nascimento, a voz padrão da
Rádio Mundial FM 95,7. Qual é o seu nome completo? É
Antônio Nascimento?
Toninho -
É.... muito bem! Você quase completou. Meu nome inteiro
é Antônio Nascimento Souza Filho, e se você quiser,
pode colocar Schwazneger no final, que eu pareço com
ele, e com o talento de Mel Gibson (risos).
Eliane
de Araujoh - A quanto
tempo você está na Rádio Mundial?
Toninho - Eu já estou na
Rádio Mundial há sete, quase oito anos. Em Setembro
agora, vai fazer 8 anos que estou na Rádio. Eu entrei em
Setembro de 1993.
Eliane
de Araujoh - Era
Difusora ainda, ou já era Rádio Mundial?
Toninho - Foi no século
passado... olha só como faz tempo!!!
, mas quando
eu comecei era Radio Difusora , AM 650. Aliás, vocês
já estavam lá também...
Eliane
de Araujoh - Era
aquela frequência que você tinha que virar o rádio de
ponta cabeça para pegar?
Toninho - É..., tinha que
dar uns tapas no rádio (risos).
Eliane
de Araujoh - De lá
para cá o Toninho foi crescendo e hoje é a voz padrão
da Rádio Mundial.
Toninho - Realmente cresci e
hoje estou com 1 metro e 76 cm. (Bebê grita
)
Eliane
de Araujoh - Olha só
a participação especial da Ariel! Ela está ouvindo
toda a vida do pai dela
Toninho, foi também na
Rádio Mundial que você conheceu a mãe da sua filha?
Toninho - A Edilene.
Ela entrou na Rádio Mundial em 1996, 3 anos depois que
eu, e começamos a nos engraçar no final de 1996 e
começo de1997.
Eliane
de Araujoh - Foi num jantar
não foi? (risos)
Toninho - Se você quiser
contar uma história mais bonita tudo bem... Isto não
estava combinado (risos). O negócio é o seguinte...
quando ela chegou na rádio, a D ª Luci foi
apresentá-la e disse: "Olha, essa moça agora vai
trabalhar conosco e blá, blá, bla...." Foi então
que eu disse que ela era "igual ao Café Jardim
(patrocinador da Rádio Mundial), mas não porque é
gostosa até o fim. É porque o Café Jardim é forte
né?". Robusta, forte, enfim.... Nos casamos em
1998, e a nossa filha Ariel nasceu em 2000, essa gata,
linda que está aqui.
Eliane
de Araujoh - É mesmo uma
gatinha! E ainda ela nasceu nesse século!.... Mas, como
foi sua trajetória? Você já trabalhava em Rádio antes
da Mundial? Conta para nós.
Toninho - Bem você sabe que
eu sou baiano "Óxente"! Vim para São Paulo em
Março de 1992. Fiz um curso de locução em 1993 pela
Hot School , que é uma espécie de Rádio/Oficina quase
igual ao SENAC. Acabei o curso em agosto/93, e no final
de setembro/93 entrei na Rádio Mundial. Fui registrado
em outubro/93. Comecei como operador. Apesar de ter feito
curso de locutor, o que eu queria mesmo era ingressar no
rádio, pois lá na Bahia, a partir dos 15 e 16 anos,
começaram a descobrir o timbre da minha voz. Então o
pessoal lá falava: "Por quê você não tenta uma
rádio?". Eu falava que não... mas, com o tempo,
comecei a pegar gosto pela coisa e tentei por lá mesmo,
em uma rádio local. Mas, não deu certo.
Eliane
de Araujoh - Mas você
chegou a trabalhar em alguma rádio lá na Bahia?
Toninho - Não, eu fui fazer
um teste, mas aí acabei nem fazendo. O pessoal da rádio
falava que não queria, que a vaga já estava preenchida,
então eu nem insisti porque eu já estava disposto a vir
para São Paulo. Então, voltando ao curso, foi depois de
mais ou menos um mês de curso que eu consegui entrar na
rádio. Foi uma grande alegria, porque rádio em São
Paulo era e continua sendo muito difícil. Entrei como
operador e depois de um ano comecei a fazer locuções
isoladas e depois de mais ou menos um ano comecei a fazer
algumas chamadas, pois, modéstia parte, já tinham
percebido o meu talento.
Eliane
de Araujoh - Aí surgiu o
Toninho Nascimento. Mas quem foi a primeira pessoa que
falou que sua voz era legal...., que dava para ser
locutor? Foi um amigo ou foi alguém da família?
Toninho - Foram algumas
amigas. Aliás, eu sempre fui um garoto de igreja e fique
sabendo que eu quase fui padre! Se tivesse sido padre
hoje eu não teria casado e nem teria uma filha linda
dessa. Bom... voltando às origens, eu sempre fui um
garoto de igreja. E a igreja sempre tinha mais mulheres
do que homens. Eu já fui catequista, diretor do grupo de
jovens, até representava minha comunidade na paróquia
da cidade. Então, as beatas diziam para eu ser padre, ir
para seminário, e começaram a confundir minha cabeça.
Até que me decidi vir para São Paulo. Aí mudou tudo.
Lá, era uma comunidade pequena e eu entrava em maior
contato com as pessoas eas minhas amigas, sempre falavam
isso (para eu ser locutor), porque eu falava muito.
Eliane
de Araujoh - Você fazia
leitura nas missas?
Toninho - Pelo fato de eu
ser um catequista e presidente do grupo de jovens, eu
sempre tive um destaque na igreja e nas missas. O
catequista é como se fosse um professor de religião.
Então, tem que falar muito, ler a bíblia, explicar aos
alunos, enfim tem que usar bastante a voz. Assim também
foi no grupo de jovens. Eu sempre falei muito. O pessoal
lá da minha terra dizia que eu nem parecia baiano, pois
eu falava muito rápido. Então, eu sempre li muito e
sempre preparava a missa com as irmãs.
Eliane
de Araujoh - Foi um talento
que surgiu no grupo de jovens?
Toninho - Eu gostava de
dramatizar... fazia peças, representações.
Eliane
de Araujoh - Da Paixão de
Cristo ...
Toninho - Isso, eu sempre
fui um rapaz direito, um rapaz de igreja.
Eliane
de Araujoh - É verdade que
você só não foi para o seminário porque não gostava
da saia do padre?
Toninho - É, eu dizia que
homem não usa saia (risos).
Eliane
de Araujoh - Então, você
veio para São Paulo e entrou na Rádio Mundial. Certo?
Toninho Exatamente.
Eu fazia comerciais, chamadas e, quando eu entrei, não
era uma rádio de grande audiência. A rádio estava
começando. Só a partir de 1995 que começou a se
organizar e ficou melhor. Na época não havia um locutor
definido, como hoje. E graças á Deus, eu sou a voz
padrão da rádio. Mas, eu já fazia algumas chamadas
gratuítas por que eu queria mostrar o meu talento, coisa
de iniciante.
Eliane
de Araujoh - E aí você
começou a fazer as primeiras locuções de graça... Era
aquele negócio: tinha que dar para receber
Toninho - É. Tudo aconteceu
de forma natural. Eu fui ganhando um destaque na
operação, passei a ser o chefe dos operadores, depois
comecei a fazer locuções, então passei a ser a voz
padrão da rádio e, em 1995, até cheguei a ter um
programa de músicas do Roberto Carlos
Eliane
de Araujoh - E você sabe
por que a rádio tem esse nome (Mundial) ?
Toninho - Quando a rádio
era Difusora , não tinha uma programação definida. O
antigo dono tinha a proposta defazer uma Rádio das
Nações, com programas das colônias. Aí, a Dona Luci
entrou na rádio e o nome mudou para Rádio Mundial. Ela
seguiu por um tempo a proposta de rádio das nações,
que tinha programas de diversas comunidades: alemã,
judaica, portuguesa, italiana, etc... mas, com essa
proposta a rádio não foi bem sucedida. Não atendeu as
expectativas. Era para a rádio atingir altos índices de
audiência, mas isso não aconteceu.
Eliane
de Araujoh - Então, você
quer dizer que a programação esotérica entrou meio que
por acaso na rádio?
Toninho - É... foi meio que
sem querer, pois na época existiam programas isolados
mais ligados à linha de auto-ajuda ( Gasparetto, Eliane
de Araujoh, Bete Fratti, etc..). E por incrível que
pareça, estes programas estavam dando mais audiência. A
partir daí, surgiu a idéia de mudar a programação da
rádio. Resolveram introduzir pouco a pouco uma
programação de auto-ajuda. Foi aí que começou a abrir
as portas para o esotérico.
Eliane
de Araujoh - No começo eram
só alguns comunicadores. Depois vieram outros?
Toninho - Vieram pessoas que
começaram a introduzir o meio esotérico como a Mãe
Dinah, as ciganas, etc. Hoje, a Rádio Mundial mistura
tudo isso. É algo que deu certo.
Eliane
de Araujoh - É você quem
faz a vinheta de quase todos os programas. Então, você
conhece quase todos os comunicadores da Rádio Mundial?
Toninho - É. Realmente
todos que entram na rádio passam por mim, e isso é
muito legal porque a gente ensina e aprende também. Pois
a cada dia que passa, a gente aprende mais e mais. É um
grande ciclo. E dentro do que eu faço, é muito
importante trocar informações, pois ser locutor depende
muito de técnicas, do equipamento, e isso você vai
aprendendo e ensinando.
Eliane
de Araujoh - É... em você
notamos uma grande evolução...
Toninho - Mas você sabe que
no começo eu detestava me ouvir...
Era horrível, mas era o meu melhor.
Eliane
de Araujoh - É muito
importante sempre se esforçar e dar o seu melhor.
Toninho - É. Tudo tem que
ter seu ponto de partida. Então, ali foi o meu, e a
partir daí fui evoluindo gradativamente vendo e ouvindo
outras pessoas, até pessoas que não são do ramo, que
tem programas na rádio mas não são profissionais.
Enfim, você acaba aprendendo de uma forma ou de outra.
Lendo um livro, você vai aprendendo a colocar sua voz
de acordo com a personagem. Você faz a entonação.
Um exemplo: um comunicador me entrega um texto de
abertura. Eu tenho que por a alma, o coração para a
mensagem não "ser a mesma".
Eliane
de Araujoh - Legal... a voz
tem que casar com o momento! Eu me lembro que uma vez
você saiu de férias e eu precisava de alguém para
fazer a abertura do programa Fiquei um mês sem abertura,
e quando passei o texto para você, nem precisei
explicar, pois saiu do jeitinho que eu queria.
Toninho - É... nós temos
um sincronismo muito grande. Conheço vocês há muito
tempo. O felling que você, José Antônio, tem para
música me emociona, principalmente porque você consegue
conciliar os textos com as músicas.
Eliane
de Araujoh. - Muito bem
mas mudando de assunto, porque o entrevistado hoje aqui
é você, qual a mensagem que você daria para quem, como
você que surgiu de uma família humilde, não é filho
de pais abastados e luta por um ideal. Porque hoje você
vive o seu sonho, fazendo o que está fazendo, não é
mesmo?
Toninho - Realmente, esse
sempre foi o meu sonho, mas voltando ao que eu já disse,
aos quinze anos, eu gostava de ouvir na rádio local,
programas românticos. Eu ficava gravando o que as
pessoas falavam, as frases, os textos, as músicas e
depois eu pegava as música (que eram praticamente todas
internacionais) e as traduzia. Foi aí que começou a
minha paixão pelo rádio. Como eu falei, é um sonho que
está se realizando e que a gente cada vez mais sobe um
degrau. E como você disse, sou de uma família pobre,
mas eu acho que o mais importante é termos um objetivo
na vida e lutarmos por ele. O meu sonho sempre foi ser
radialista, locutor. E por mais que seja difícil você
deve ter perseverança, fé em Deus, fé na vida, fé em
si. Desde que eu cheguei em São Paulo, já comecei a
trabalhar. Era repositor, caixa, mas não era minha
praia. Fiquei só oito meses. Nessa época, eu acabei
trabalhando para "financiar o meu sonho". Neste
intervalo de tempo, eu fui para a Bahia tentei fazer uma
faculdade por lá, mas não deu certo.
Então, voltei para São Paulo. No caminho, encontrei
um homem que me perguntou se eu queria vender saquinho de
lixo com ele. Então, depois de pensar um pouco, pois
fiquei meio acanhado, aceitei o trabalho. E deu certo,
quer dizer, sem medo de ser feliz, porque eu acho que
você tem que batalhar. Eu encaro qualquer trabalho como
digno, não tem porque existir preconceito só porque a
pessoa é gari, ou faxineiro, todo trabalho é digno
desde que o trabalho seja realizado com dignidade. Então
eu fui, vendi, e fiquei uns três meses com ele, mas aí
surgiu o lance da rádio e não deu para conciliar as
duas coisas, mesmo assim continuei vendendo por uns dois
meses.
Eliane
de Araujoh - Puxa que
legal,! Então a história é a seguinte: o Toninho de
vendedor de saquinho de lixo, passou a ser o locutor que
é hoje! Você vendia de porta em porta?
Toninho - Era de porta em
porta. Batia e falava: "Oi senhora, bom dia! Quer um
saquinho de lixo? O preço está bom, e a senhora não
precisa pagar agora, o material é de primeira qualidade
quer dar uma olhadinha?" e por aí
afora
(risos)
Eliane
de Araujoh - E sempre com
alegria e bom humor e com o objetivo de pagar seus
estudos e seguir seus sonhos!
Toninho - E com tudo isso,
consegui completar o segundo grau. A minha idéia era
fazer uma faculdade de jornalismo, marketing, mas para
isso necessitava dinheiro. E paralelo à Mundial eu
também trabalhei na Rede Capital, e isso aconteceu em
1994. Eu mantinha contato com todos que estavam ligados
à rede, e tudo isso me ensinou que você nunca deve
fugir dos seus ideais. Tem que encarar tudo de frente,
sem parar, sem vacilar, sem temer e sem chorar. Eu
também gostaria de dizer uma frase que sempre abria o
programa com ela: "Na integridade do meu ser, experimento e
expresso a dança da vida." Então, o que você quiser, você tem que encarar de
frente que você consegue.
Eliane
de Araujoh - E para você
valeu a pena?
Toninho - Como diz o
filósofo português "Tudo vale a pena, se a alma
não é pequena." E para mim valeu e continua
valendo muito, e estou muito feliz fazendo aquilo que eu
gosto e sempre gostei. Também agradeço a Dona Luci, ao
Sr. Ciglione, à Míriam Moratto, e a vocês pela
oportunidade da entrevista. Não preciso nem dizer que
você e a Eliane eu considero como irmãos, por tudo que
vocês fizeram e estão fazendo, obrigado.
Eliane
de Araujoh. - Está ok
Toninho! Muito obrigado pela participação. E aí está
um pouco da vida do Toninho Nascimento.

|