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Eliane de Araujoh

Entrevista Toninho Nascimento

 

 

Toninho Nascimento é Locutor da Rádio Mundial de São Paulo, sendo a Voz Padrão da Rádio e também apresentador do Programa de Coração pra Coração, que vai ao ar pelas manhas na mesma emissora


              

Entrevista realizada em Abril de 2001 na Rádio Mundial de São Paulo - FM 95,7,

 

 

 

Eliane de Araujoh - Estamos aqui com Toninho Nascimento, a voz padrão da Rádio Mundial FM 95,7. Qual é o seu nome completo? É Antônio Nascimento?

 

Toninho - É.... muito bem! Você quase completou. Meu nome inteiro é Antônio Nascimento Souza Filho, e se você quiser, pode colocar Schwazneger no final, que eu pareço com ele, e com o talento de Mel Gibson (risos).

 

Eliane de Araujoh - A quanto tempo você está na Rádio Mundial?

 

Toninho - Eu já estou na Rádio Mundial há sete, quase oito anos. Em Setembro agora, vai fazer 8 anos que estou na Rádio. Eu entrei em Setembro de 1993.

 

Eliane de Araujoh - Era Difusora ainda, ou já era Rádio Mundial?

 

Toninho - Foi no século passado... olha só como faz tempo!!!…, mas quando eu comecei era Radio Difusora , AM 650. Aliás, vocês já estavam lá também...

 

Eliane de Araujoh - Era aquela frequência que você tinha que virar o rádio de ponta cabeça para pegar?

 

Toninho - É..., tinha que dar uns tapas no rádio (risos).

 

Eliane de Araujoh - De lá para cá o Toninho foi crescendo e hoje é a voz padrão da Rádio Mundial.

 

Toninho - Realmente cresci e hoje estou com 1 metro e 76 cm. (Bebê grita…)

 

Eliane de Araujoh - Olha só… a participação especial da Ariel! Ela está ouvindo toda a vida do pai dela… Toninho, foi também na Rádio Mundial que você conheceu a mãe da sua filha?

 

 Toninho - A Edilene. Ela entrou na Rádio Mundial em 1996, 3 anos depois que eu, e começamos a nos engraçar no final de 1996 e começo de1997.

 

Eliane de Araujoh - Foi num jantar não foi? (risos)

 

Toninho - Se você quiser contar uma história mais bonita tudo bem... Isto não estava combinado (risos). O negócio é o seguinte... quando ela chegou na rádio, a D ª Luci foi apresentá-la e disse: "Olha, essa moça agora vai trabalhar conosco e blá, blá, bla...." Foi então que eu disse que ela era "igual ao Café Jardim (patrocinador da Rádio Mundial), mas não porque é gostosa até o fim. É porque o Café Jardim é forte né?". Robusta, forte, enfim.... Nos casamos em 1998, e a nossa filha Ariel nasceu em 2000, essa gata, linda que está aqui.

 

Eliane de Araujoh - É mesmo uma gatinha! E ainda ela nasceu nesse século!.... Mas, como foi sua trajetória? Você já trabalhava em Rádio antes da Mundial? Conta para nós.

 

Toninho - Bem você sabe que eu sou baiano "Óxente"! Vim para São Paulo em Março de 1992. Fiz um curso de locução em 1993 pela Hot School , que é uma espécie de Rádio/Oficina quase igual ao SENAC. Acabei o curso em agosto/93, e no final de setembro/93 entrei na Rádio Mundial. Fui registrado em outubro/93. Comecei como operador. Apesar de ter feito curso de locutor, o que eu queria mesmo era ingressar no rádio, pois lá na Bahia, a partir dos 15 e 16 anos, começaram a descobrir o timbre da minha voz. Então o pessoal lá falava: "Por quê você não tenta uma rádio?". Eu falava que não... mas, com o tempo, comecei a pegar gosto pela coisa e tentei por lá mesmo, em uma rádio local. Mas, não deu certo.

 

Eliane de Araujoh - Mas você chegou a trabalhar em alguma rádio lá na Bahia?

 

Toninho - Não, eu fui fazer um teste, mas aí acabei nem fazendo. O pessoal da rádio falava que não queria, que a vaga já estava preenchida, então eu nem insisti porque eu já estava disposto a vir para São Paulo. Então, voltando ao curso, foi depois de mais ou menos um mês de curso que eu consegui entrar na rádio. Foi uma grande alegria, porque rádio em São Paulo era e continua sendo muito difícil. Entrei como operador e depois de um ano comecei a fazer locuções isoladas e depois de mais ou menos um ano comecei a fazer algumas chamadas, pois, modéstia parte, já tinham percebido o meu talento.

 

Eliane de Araujoh - Aí surgiu o Toninho Nascimento. Mas quem foi a primeira pessoa que falou que sua voz era legal...., que dava para ser locutor? Foi um amigo ou foi alguém da família?

 

Toninho - Foram algumas amigas. Aliás, eu sempre fui um garoto de igreja e fique sabendo que eu quase fui padre! Se tivesse sido padre hoje eu não teria casado e nem teria uma filha linda dessa. Bom... voltando às origens, eu sempre fui um garoto de igreja. E a igreja sempre tinha mais mulheres do que homens. Eu já fui catequista, diretor do grupo de jovens, até representava minha comunidade na paróquia da cidade. Então, as beatas diziam para eu ser padre, ir para seminário, e começaram a confundir minha cabeça. Até que me decidi vir para São Paulo. Aí mudou tudo. Lá, era uma comunidade pequena e eu entrava em maior contato com as pessoas eas minhas amigas, sempre falavam isso (para eu ser locutor), porque eu falava muito.

Eliane de Araujoh - Você fazia leitura nas missas?

 

Toninho - Pelo fato de eu ser um catequista e presidente do grupo de jovens, eu sempre tive um destaque na igreja e nas missas. O catequista é como se fosse um professor de religião. Então, tem que falar muito, ler a bíblia, explicar aos alunos, enfim tem que usar bastante a voz. Assim também foi no grupo de jovens. Eu sempre falei muito. O pessoal lá da minha terra dizia que eu nem parecia baiano, pois eu falava muito rápido. Então, eu sempre li muito e sempre preparava a missa com as irmãs.

 

Eliane de Araujoh - Foi um talento que surgiu no grupo de jovens?

 

Toninho - Eu gostava de dramatizar... fazia peças, representações.

 

Eliane de Araujoh - Da Paixão de Cristo ...

 

Toninho - Isso, eu sempre fui um rapaz direito, um rapaz de igreja.

 

Eliane de Araujoh - É verdade que você só não foi para o seminário porque não gostava da saia do padre?

 

Toninho - É, eu dizia que homem não usa saia (risos).

 

Eliane de Araujoh -  Então, você veio para São Paulo e entrou na Rádio Mundial. Certo?

 

Toninho – Exatamente. Eu fazia comerciais, chamadas e, quando eu entrei, não era uma rádio de grande audiência. A rádio estava começando. Só a partir de 1995 que começou a se organizar e ficou melhor. Na época não havia um locutor definido, como hoje. E graças á Deus, eu sou a voz padrão da rádio. Mas, eu já fazia algumas chamadas gratuítas por que eu queria mostrar o meu talento, coisa de iniciante.

 

Eliane de Araujoh - E aí você começou a fazer as primeiras locuções de graça... Era aquele negócio: tinha que dar para receber…

 

Toninho - É. Tudo aconteceu de forma natural. Eu fui ganhando um destaque na operação, passei a ser o chefe dos operadores, depois comecei a fazer locuções, então passei a ser a voz padrão da rádio e, em 1995, até cheguei a ter um programa de músicas do Roberto Carlos

 

Eliane de Araujoh - E você sabe por que a rádio tem esse nome (Mundial) ?

 

Toninho - Quando a rádio era Difusora , não tinha uma programação definida. O antigo dono tinha a proposta defazer uma Rádio das Nações, com programas das colônias. Aí, a Dona Luci entrou na rádio e o nome mudou para Rádio Mundial. Ela seguiu por um tempo a proposta de rádio das nações, que tinha programas de diversas comunidades: alemã, judaica, portuguesa, italiana, etc... mas, com essa proposta a rádio não foi bem sucedida. Não atendeu as expectativas. Era para a rádio atingir altos índices de audiência, mas isso não aconteceu.

 

Eliane de Araujoh - Então, você quer dizer que a programação esotérica entrou meio que por acaso na rádio?

 

Toninho - É... foi meio que sem querer, pois na época existiam programas isolados mais ligados à linha de auto-ajuda ( Gasparetto, Eliane de Araujoh, Bete Fratti, etc..). E por incrível que pareça, estes programas estavam dando mais audiência. A partir daí, surgiu a idéia de mudar a programação da rádio. Resolveram introduzir pouco a pouco uma programação de auto-ajuda. Foi aí que começou a abrir as portas para o esotérico.

 

Eliane de Araujoh - No começo eram só alguns comunicadores. Depois vieram outros?

 

Toninho - Vieram pessoas que começaram a introduzir o meio esotérico como a Mãe Dinah, as ciganas, etc. Hoje, a Rádio Mundial mistura tudo isso. É algo que deu certo.

 

Eliane de Araujoh - É você quem faz a vinheta de quase todos os programas. Então, você conhece quase todos os comunicadores da Rádio Mundial?

 

Toninho - É. Realmente todos que entram na rádio passam por mim, e isso é muito legal porque a gente ensina e aprende também. Pois a cada dia que passa, a gente aprende mais e mais. É um grande ciclo. E dentro do que eu faço, é muito importante trocar informações, pois ser locutor depende muito de técnicas, do equipamento, e isso você vai aprendendo e ensinando.

 

Eliane de Araujoh - É... em você notamos uma grande evolução...

 

Toninho - Mas você sabe que no começo eu detestava me ouvir...

Era horrível, mas era o meu melhor.

 

Eliane de Araujoh - É muito importante sempre se esforçar e dar o seu melhor.

 

Toninho - É. Tudo tem que ter seu ponto de partida. Então, ali foi o meu, e a partir daí fui evoluindo gradativamente vendo e ouvindo outras pessoas, até pessoas que não são do ramo, que tem programas na rádio mas não são profissionais. Enfim, você acaba aprendendo de uma forma ou de outra.

Lendo um livro, você vai aprendendo a colocar sua voz de acordo com a personagem. Você faz a entonação.

Um exemplo: um comunicador me entrega um texto de abertura. Eu tenho que por a alma, o coração para a mensagem não "ser a mesma".

 

Eliane de Araujoh - Legal... a voz tem que casar com o momento! Eu me lembro que uma vez você saiu de férias e eu precisava de alguém para fazer a abertura do programa Fiquei um mês sem abertura, e quando passei o texto para você, nem precisei explicar, pois saiu do jeitinho que eu queria.

 

Toninho - É... nós temos um sincronismo muito grande. Conheço vocês há muito tempo. O felling que você, José Antônio, tem para música me emociona, principalmente porque você consegue conciliar os textos com as músicas.

 

Eliane de Araujoh. - Muito bem… mas mudando de assunto, porque o entrevistado hoje aqui é você, qual a mensagem que você daria para quem, como você que surgiu de uma família humilde, não é filho de pais abastados e luta por um ideal. Porque hoje você vive o seu sonho, fazendo o que está fazendo, não é mesmo?

 

Toninho - Realmente, esse sempre foi o meu sonho, mas voltando ao que eu já disse, aos quinze anos, eu gostava de ouvir na rádio local, programas românticos. Eu ficava gravando o que as pessoas falavam, as frases, os textos, as músicas e depois eu pegava as música (que eram praticamente todas internacionais) e as traduzia. Foi aí que começou a minha paixão pelo rádio. Como eu falei, é um sonho que está se realizando e que a gente cada vez mais sobe um degrau. E como você disse, sou de uma família pobre, mas eu acho que o mais importante é termos um objetivo na vida e lutarmos por ele. O meu sonho sempre foi ser radialista, locutor. E por mais que seja difícil você deve ter perseverança, fé em Deus, fé na vida, fé em si. Desde que eu cheguei em São Paulo, já comecei a trabalhar. Era repositor, caixa, mas não era minha praia. Fiquei só oito meses. Nessa época, eu acabei trabalhando para "financiar o meu sonho". Neste intervalo de tempo, eu fui para a Bahia tentei fazer uma faculdade por lá, mas não deu certo.

Então, voltei para São Paulo. No caminho, encontrei um homem que me perguntou se eu queria vender saquinho de lixo com ele. Então, depois de pensar um pouco, pois fiquei meio acanhado, aceitei o trabalho. E deu certo, quer dizer, sem medo de ser feliz, porque eu acho que você tem que batalhar. Eu encaro qualquer trabalho como digno, não tem porque existir preconceito só porque a pessoa é gari, ou faxineiro, todo trabalho é digno desde que o trabalho seja realizado com dignidade. Então eu fui, vendi, e fiquei uns três meses com ele, mas aí surgiu o lance da rádio e não deu para conciliar as duas coisas, mesmo assim continuei vendendo por uns dois meses.

 

Eliane de Araujoh - Puxa que legal,! Então a história é a seguinte: o Toninho de vendedor de saquinho de lixo, passou a ser o locutor que é hoje! Você vendia de porta em porta?

 

Toninho - Era de porta em porta. Batia e falava: "Oi senhora, bom dia! Quer um saquinho de lixo? O preço está bom, e a senhora não precisa pagar agora, o material é de primeira qualidade quer dar uma olhadinha?" e por aí afora…(risos)

 

Eliane de Araujoh - E sempre com alegria e bom humor e com o objetivo de pagar seus estudos e seguir seus sonhos!

 

Toninho - E com tudo isso, consegui completar o segundo grau. A minha idéia era fazer uma faculdade de jornalismo, marketing, mas para isso necessitava dinheiro. E paralelo à Mundial eu também trabalhei na Rede Capital, e isso aconteceu em 1994. Eu mantinha contato com todos que estavam ligados à rede, e tudo isso me ensinou que você nunca deve fugir dos seus ideais. Tem que encarar tudo de frente, sem parar, sem vacilar, sem temer e sem chorar. Eu também gostaria de dizer uma frase que sempre abria o programa com ela: "Na integridade do meu ser, experimento e expresso a dança da vida." Então, o que você quiser, você tem que encarar de frente que você consegue.

 

Eliane de Araujoh - E para você valeu a pena?

 

Toninho - Como diz o filósofo português "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena." E para mim valeu e continua valendo muito, e estou muito feliz fazendo aquilo que eu gosto e sempre gostei. Também agradeço a Dona Luci, ao Sr. Ciglione, à Míriam Moratto, e a vocês pela oportunidade da entrevista. Não preciso nem dizer que você e a Eliane eu considero como irmãos, por tudo que vocês fizeram e estão fazendo, obrigado.

 

Eliane de Araujoh. - Está ok Toninho! Muito obrigado pela participação. E aí está um pouco da vida do Toninho Nascimento.

 

 

 

 

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