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Veja mais sobre Tarô:

> A Estrutura do Tarô

> Simbolismo do Tarô

 

 

As Quatro Ciências Herméticas no Tarô

Muitos comentaristas do Taro acreditam que este é um sumário das quatro Ciências Herméticas: Cabala, Astrologia, Alquimia e Magia, com as suas diferentes divisões. Todas estas ciências, atribuidas a Hermes Trismegistus, realmente representam um sistema amplo e profundo de investigação psicológica da natureza humana em sua relação com o mundo "noumena" (Deus e o Mundo do Espírito) e com o mundo fenomênico (o visível, o Mundo Físico), conforme Ouspensky:

 

...As letras do alfabeto hebraico e várias alegorias da Cabala; os nomes dos metais, ácidos e sais da Alquimia; os planetas e constelações da Astrologia; os bons e os maus espíritos da Magia - todos estes aspectos estão contidos no Taro, de modo velado aos não iniciados. Mas quando o verdadeiro alquimista procura pelo ouro, procura o ouro da alma humana; quando o astrólogo fala de constelações e planetas ele fala de constelações e planetas na alma humana ou seja nas qualidades da alma humana e sua relação com Deus e com o mundo; e quando o verdadeiro cabalista fala no Nome de Deus, imagina Seu Nome na alma humana e na Natureza, não em livros mortos ou textos bíblicos, como faziam os cabalistas escolásticos. Assim Cabala, Astrologia, Alquimia e Magia são sistemas paralelos de metafísica e psicologia, simbolicamente representados pelo Taro. Desta forma, qualquer Arcano do Taro ou qualquer sentença alquímica pode ser lida de modo cabalístico ou astrológico, mas o seu significado será sempre psicológico ou metafísico.

 

Diversas analogias existem entre o Taro e os ensinamentos da Cabala:
Os vinte e dois arcanos maiores correspondem as vinte duas letras do alfabeto hebraico e aos vinte e dois caminhos que interligam o Sephiroth.
Os quatro naipes (Pentáculos, Espadas, Copas e Paus) e as quatro figuras dos arcanos menores (Rei, Dama, Cavaleiro e Valete) correspondem aos quatro elementos alquímicos, as quatro letras do tetragramaton (Iod, He, Vau, He) ou ainda os quatro mundos no caminho do Relampago Brilhante (Olam ha Aziluth - Mundo da Emanação, Olam ha Briah - Mundo da Criação, Olam ha Yezirah - Mundo da Formação e Olam ha Aziah - Mundo da Manifestação ou Concreto).
As dez cartas dos arcanos menores (de As a Dez) representam as sephiras da Árvore da Vida.
E assim por diante, de tal forma que é impossível não notar as similaridades entre os dois sistemas..

 

O Tarô nos Templos Egípcios 

Oswald Wirth em seu "Essay upon the Astronomical Tarot" refere-se à sua origem assim: "De acordo com Christian (Histoire de la Magie) os vinte e dois arcanos maiores do Tarô, representam pinturas hieroglíficas que foram encontradas nos espaços entre as colunas de uma galeria, onde os neófitos deviam passar nas iniciações egípcias. Haviam 12 colunas ao norte e 12 colunas ao sul, ou seja, onze figuras simbólicas de cada lado. Estas figuras eram explicadas ao candidato em ordem regular, e elas continham as regras e os princípios da iniciação. Esta opinião é confirmada pela correspondência que existe entre os arcanos quando eles são desta forma arranjados."

 

Na galeria do Templo, as figuras eram arranjadas em pares, uma oposta à outra, de tal modo que a última era oposta à primeira; a penúltima à segunda, e assim por diante.
Quando as cartas são colocadas, encontramos uma significação interessante e profunda. Desta forma a mente encontra a unidade a partir da dualidade, o monismo à partir do dualismo, o que podemos chamar da unificação da dualidade. Uma carta explica a outra e cada par mostra mais do que cada uma de per si.

 

Assim, por exemplo, os arcanos X e XIII (Vida e Morte) significam em conjunto uma certa unidade, uma condição complementar que não pode ser concebida pelo processo mental normal e imperfeito. Pensamos em Vida e Morte como dois opostos antagônicos um ao outro, mas, se pensarmos mais longe, veremos que cada um depende do outro para existir e nenhum dos dois pode existir separadamente.

 

Assim temos a seguinte organização para os 22 Arcanos Maiores, de acordo com esta concepção:

 

O Caminho da Iniciação - Disposição dos Arcanos Maiores num Templo Egípcio

 

Os 22 Caminhos e Os Arcanos Maiores

"Eis a chave religiosa e cabalística dos Tarôs, expressa em versos técnicos à maneira dos antigos legisladores" - (Eliphas Levi - Dogma e Ritual da Alta Magia)

 

1 - Aleph - Tudo mostra uma causa inteligente, ativa.
2 - Beith - O número dá prova da unidade viva.
3 - Ghimel - Nada pode limitar aquele que tudo contem
4 - Daleth - Só, antes de qualquer princípio, está presente em toda parte.
5 - He - Como é o único senhor, é o único adorável
6 - Vau - Revela aos corações puros seus belos dogmas
7 - Zain - Mas é preciso um só chefe às obras da fé.

8 - Cheth - É por isso que só temos um altar, uma lei
9 - Teth - E nunca o Eterno mudará sua base.
10 - Iod - Dos céus e dos nossos dias regula cada fase
11 - Caph - Rico em misericórdia e nérgico no punir
12 - Lamed - Promete a seu povo um rei no porvir
13 - Mem - O túmulo é a passagem para a terra nova, só a morte acaba, a vida é eterna.
14 - Nun - O bom anjo é aquele que acalma e tempera

15 - Samech - O mau é o espírito de orgulho e cólera
16 - Ain - Deus manda no raio e governa no fogo
17 - Phe - Vesper e seu orvalho obedecem a Deus
18 - Tzadi - Coloca sobre nossas torres a lua como sentinela
19 - Quph - O seu sol é a fonte em tudo que se renova
20 Resh - O seu sôpro faz germinar o pó dos túmulos
0 ou 21 - Shin - Aonde os mortais sem freios descem em multidão

21 ou 22 - Thav - Sua coroa cobriu o propiciatório

 

Iod - He - Vau - He

Quatro Sinais que Contém Todos os Nomes

... Os quatro signos, isto é Paus, Copas, Espadas e Círculos ou Pentáculos, vulgarmente chamados de Ouros. Estas figuras são hieróglifos do tetragrama; assim Pau é o Phallus dos egípcios ou Iod dos hebreus; Copa é o Cteisu Hê primitivo; a Espada é a conjunção de ambos ou o lingham figurado do hebreu, anterior ao cativeiro pelo Vô, e o Círculo ou Pentáculo, imagem do mundo, é o final do nome divino.

 

Agora tomemos um Tarô e reunamos, quatro por quatro, todas as páginas que formam a Roda ou a Rota de Guilherme Postello; ponhamos juntos os quatro ases, os quatro dois, etc, e teremos dez montes de cartas que dão a explicação hieroglífica do triângulo dos nomes divinos, de acordo com a escada do denário:

 

 

(Os cabalistas. multiplicando os nomes divinos, uniram todos, quer à unidade do tetragrama, quer a figura do ternário, quer a escada sephirótica da década: traçam assim a escada dos nomes e dos números divinos...)

 

A Árvore da Vida e Os Arcanos Menores

1 - Kether - Os Osquatro ases: A coroa de Deus tem quatro florões
2 - Hokmah- Os quatro dois: A sua sabedoria se espalha e forma quatro rios
3 - Binah - Os quatro tres: De sua inteligência dá quatro provas
4 - Chesed - Os quatro quatro: Da sua misericórdia há quatro benefícios
5 - Gvurah - Os quatro cinco: O seu rigor quatro vêzes pune quatro erros.
6 - Tiphereth - Os quatro seis: Por quatro raios puros sua beleza se revela
7 - Netzah - Os quatro sete: Celebremos quatro vêzes a sua vitória eterna
8 - Hod - Os quatro oito: Quatro vêzes triunfa na sua eternidade
9 - Yesod  - Os quatro nove: Por quatro fundamentos seu trono é suportado
10 - Malkhuth  - Seu único reino é quatro vêzes o mesmo. E conforme os florões do divino diadema.

 

... Vê-se por esse arranjo tão simples, o sentido cabalístico de cada lâmina. Assim por exemplo, o cinco de paus significa rigorosamente Gvurah de Iod, isto é Justiça do Criador ou cólera do homem; o sete de copas significa vitória da misericórdia ou vitória da mulher; oito de espadas significa conflito ou equilíbrio eterno, e assim as outras.

 

Assim podemos compreender como faziam os antigos pontífices para fazer este oráculo; as lâminas lançadas à sorte davam sempre um sentido cabalístico novo, mais rigorosamente verdadeiro na sua combinação, unicamente a qual era fortuita; e, como, a fé dos antigos nada dava ao acaso, eles liam as respostas da Providência nos oráculos do Tarô, que eram chamados Theraph ou Theraphins entre os hebreus, como o pressentiu primeiramente o sábio cabalista Gaffarel, um dos magos habituais do Cardeal Rechelieu.

 

Texto: Extrato do texto "A Cabala e o Taro" - Retirado da Internet

 

 

 

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