Um Pouco da História desta Arte-Ciência
Imagine o antigo mundo mesopotâmico por volta do ano 8.000 a.C.
É exatamente neste ambiente que o homem encontrou na vastidão do
céu um poderoso instrumento de orientação e observação. A
princípio começou a perceber que determinados eventos eram
formados por ciclos, que iam e voltavam numa infinita espiral
evolutiva.
Foi
assim que estabeleceu períodos para as suas atividades, pois
entendeu que “debaixo do céu havia um tempo certo para todas as
coisas” e que os eventos obedeciam uma determinada ordem de
correspondência.
Mas foi só no Antigo Egito que o sábio
Hermes Trimegistro estabeleceu este princípio, formulando o adágio:
"- O que está embaixo é como o que está no alto;
o que está no alto é como o que está embaixo,
no milagre de uma só coisa."
Assim temos o princípio básico desta Arte-Ciência que conhecemos
hoje pelo nome de Astrologia.
Mistério para alguns, fonte de pesquisas e estudos para outros e
pura “crendice” para outros tantos, o Estudo Astrológico segue
seu caminho como uma poderosa ferramenta de auto conhecimento
através dos milênios.
A Astrologia pode até ser confundida pelo
leigo com um oráculo – como o Tarot, os Búzios, as Runas, o I
Ching e tantos outros instrumentos de investigação do
inconsciente – mas ao contrário destes valiosos instrumentos, a
Astrologia independe de crença ou pré disposição
mental-espiritual para ser apresentada ou manifesta ao leigo, ou
seja, você não precisa “acreditar em Astrologia” para que ela
possa revelar seus encantos e desígnios e começar a “funcionar”
em sua vida.
Oriunda
da observação dos corpos celestes e suas correspondências e
efeitos no mundo físico, a Astrologia necessitou num determinado
momento da história de outra poderosa ferramenta – a matemática
– afim de que ficasse estabelecido o padrão dos movimentos dos
planetas no céu, o que é conhecido hoje como Mecânica Celeste.
Só assim então, os antigos escribas e sábios matemáticos
conseguiram determinar os ciclos e os períodos desta dança
cósmica com exatidão, formulando tábuas planetárias (as
Efemérides) que indicam em que setor do céu o planeta está
localizado num período do tempo.
Antes da Idade Média este estudo – do simbolismo planetário e do
calculo da mecânica celeste – eram uma só coisa. Mas, como bem
sabemos, houve o momento da divisão dentro de um mesmo estudo.
Nascia assim então a Astronomia.
Os sábios matemáticos daquela
época não desejavam de forma nenhuma enfrentar as fogueiras da
Inquisição ou serem confundidos por compactuar com outros
estudiosos que enxergavam nos céus e no posicionamento dos
planetas correspondências com o destino do homem. Se auto
denominaram então “cientistas”, detentores de uma ciência exata
e matemática e deixaram que seus colegas fossem rotulados como
“místicos” ou integrantes de um grupo de pessoas que faziam
parte de algo muito próximo ao que a Igreja da época realmente
perseguia e abominava...
Mas
não podemos deixar de destacar que tal fato só contribuiu para o
fortalecimento e a divulgação desta mesma Astrologia através de
notáveis nas áreas das ciências – de Hipocrates, Ptolomeu,
Copérnico, Tycho Brahe, Johannes Kepler a Carl Jung ou Albert
Einstein, a Astrologia encontrou seu espaço dentro do mundo
moderno, e há muito tempo deixou de ser um instrumento nas mãos
de poucos neófitos ou de domínio e sapiência de imperadores,
reis e do próprio clero no exercício e na manutenção do “poder”
através do conhecimento dos movimentos dos astros no céu.
Ela
foi aos poucos sendo popularizada e hoje é muito comum que
muitos já tenha entrado em contato com este estudo através da
confecção de sua Carta Astrológica (“Mapa Astral”).
Foi
no final dos Anos 20 com a depressão oriunda da quebra da
economia norte-americana e consequentemente mundial, que a
Astrologia foi “confundida” com um outro tipo de estudo que
também fala dos astros e dos signos – a Horoscopia. A palavra
Horóscopo vem do grego "horoskopos" e significa olhar de perto,
considerar a hora. Naquela época a mídia impressa descobriu que
poderia utilizar os textos dos horóscopos para os doze signos
como um mecanismo de alento ou de incentivo as pessoas de um
modo genérico e amplo, e que teriam a função de indicar tempos
melhores dentro do cotidiano. Assim nasceu o “horóscopo de
jornal” tal qual conhecemos até os dias de hoje. É
claro que a Horoscopia ajudou a popularizar a Astrologia..., mas
isso teve um preço muito alto.
O primeiro estudo tem a proposta
de indicar dentro de períodos mensais marcados pela posição do
Sol no seu caminho pela Roda Zodiacal um prognóstico amplo e
genérico, dividindo as pessoas em doze tipologias (os Doze
Signos Solares). Já a Astrologia individualiza o homem pelo
estudo da Carta Astral como um todo, não só levando em
consideração a posição mensal do Sol, mas sim de todos os outros
corpos celestes que compõem o nosso Sistema – a Lua, Mercúrio,
Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Netuno, Urano e Plutão – bem
como os aspectos (ângulos) formados entre eles e as Casas
Zodiacais. Também a Astrologia leva em consideração as
coordenadas de tempo e espaço de um indivíduo – dia, mês, ano e
hora de nascimento e local (cidade, estado, país) – onde o mesmo
nasceu.
Mas
que fique bem claro: um estudo não invalida o outro! São apenas
instrumentos diferentes, onde um generaliza e o outro
individualiza o homem e sua interação com o cosmo e o meio em
que nasceu e vive...
Texto: Astrologia – Esta
“Velha Senhora”...
por Ivan Freitas – Astrólogo - Especial para a Revista Esotera